Hinds – The Prettiest Curse

Texto que saiu no Scream & Yell, no fim de 2020:

Artista – Hinds
Álbum – “The Prettiest Curse”
Lançamento – 05/06/2020
Gravadora – Lukcy Number / Mom + Pop

É simples e direto: 2020 foi o pior ano das nossas vidas. Uma tragédia coletiva muito triste e solitária. A gente precisava de um disco leve, divertido e empolgado para ter um pouco de alívio.

Entre o fim de 2019 e o começo de 2020 as madrilenas das Hinds começaram a lançar singles do que seria seu terceiro disco. “The Prettiest Curse” tinha lançamento marcado para o começo de abril, mas foi atropelado pela pandemia, e adiado para junho. “Todos nós precisamos de música agora mais do que nunca, e estávamos muito animadas para lançar nosso álbum e compartilhá-lo com vocês! Mas agora as coisas estão um pouco assustadoras na Espanha, e o coronavírus é algo que está afetando muitos dos nossos entes queridos, então por enquanto pensamos que todo o nosso foco deve ser em segurança e ficar em casa, não promover um novo álbum”, comunicaram ainda em março. E vocês sabem o que tivemos depois de março: lidar com mortes, com medos, com paranoias, ansiedade, saudades, tédio e tudo mais.

Quando o disco dessas gurias finalmente chegou, se mostrou um dos poucos momentos de alegria desse período horrível. Depois de dois álbuns de garage rock lo-fi, esse novo trabalho trouxe uma sonoridade mais cheia, arranjos melhores, uma variedade maior de instrumentos. Mas nada disso funcionaria se não fosse o que sempre é mais importante: músicas boas. Muito boas. Muita melodia e refrão para cantar junto, guitarras altas e barulhentas, uma banda em chamas! A ponte para o refrão em “Good Bad Times”, o coro no final de “Boy”, a introdução de “Burn”, são vários trechos marcantes, que te forçam a repetidas audições da mesma canção.

É o mesmo garage rock divertido, com uma roupagem mais produzida. Gente amarga sempre lança a carta do “ficou muito pop, gostava mais antes”. Azar dessas pessoas. As letras em geral tratam de temas comuns, como paixões, decepções, amizades, festas, a vida na estrada. A mais relevante é de “Just Like Kids (Miau)”, uma resposta bem humorada ao machismo que uma banda formada por mulheres sofre por todos lados, com elas imitando sons de gatas. Os vocais, inclusive, são o maior trunfo do grupo. Carlotta Corsial e Ana Perrote combinam bem suas vozes, alternando entre uníssonos e momentos de ligeiro desencontro ou meramente gritarias anárquicas, sempre colocando muita empolgação e energia em suas performances. Essa intensidade e até essas pequenas imperfeições são a marca mais característica, de maior personalidade das Hinds. Tudo isso faz sentido na gravação lançada poucas semanas depois do disco, a boa versão delas para “Spanish Bombs” do Clash.

“The Prettiest Curse” é um disco simples e divertido. Prestando atenção, dá até pra se ver ouvindo essas músicas num show ou em uma festa, cantando e dançando com pessoas queridas a volta. Para esse 2020 está ótimo.

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